Uma dor inimaginável e um pedido desesperado por justiça. A cidade de Atibaia, no interior de São Paulo, está em choque com a morte trágica da pequena Valentina Beltrame de Almeida, de apenas 4 anos. O que começou como uma brincadeira na casa da avó terminou em luto após a menina ser picada por um escorpião e a família denunciar uma sucessão de erros médicos e falta de estrutura que podem ter custado a vida da criança.
A revolta dos familiares é palpável. Enquanto a menina lutava pela vida, a mãe, Larissa Beltrame, relata cenas de despreparo absoluto dentro da Santa Casa de Atibaia. “Tentaram pegar uma bomba, a bomba não estava funcionando. Puncionaram um sorinho, aí estourou a veia dela, depois furou de novo... Eles tinham o soro, mas não sabiam como aplicar na Valentina”, desabafou a mãe, expondo um cenário de horror.
Além da dificuldade técnica alegada na aplicação do soro antiescorpiônico, a família afirma que a transferência para Bragança Paulista ocorreu sem a garantia de uma vaga na UTI, algo que a avó, Adriana Beltrame, considera crucial: "Se ela estivesse na UTI tomando esse medicamento... eu acho que ela estaria viva".
Apesar das acusações gravíssimas, a Prefeitura e a Santa Casa de Atibaia negam negligência. Em nota oficial, as instituições afirmam que seguiram "rigorosamente" todos os protocolos do Ministério da Saúde e que o estado clínico de Valentina evoluiu de maneira severa devido à ação tóxica do veneno. O Hospital Universitário São Francisco confirmou que a criança chegou em estado crítico e faleceu devido a complicações cardíacas. O caso segue sob investigação, mas para a família, resta apenas a dor e a sensação de que a tragédia poderia ter sido evitada.