A decisão polêmica atinge o sigilo da fonte jornalística e apura monitoramento ilegal contra ministro do STF e seus familiares no Maranhão.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou uma operação da Polícia Federal que reacendeu o debate nacional sobre o sigilo da fonte jornalística. A ação teve como alvos principais o ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado como o informante do jornalista Luís Pablo, e o advogado Diogo Diniz Lima. A investigação tramita sob sigilo e busca desvendar a origem de vazamentos de dados sensíveis relacionados à segurança do ministro Flávio Dino.
O inquérito teve como ponto de partida uma série de reportagens publicadas por Luís Pablo a partir de novembro de 2025. Nos conteúdos, o jornalista descrevia o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por parte da equipe de segurança de Flávio Dino, além de citar familiares do magistrado. A Polícia Federal suspeita que Raimundo Cutrim tenha utilizado acessos privilegiados a sistemas restritos para obter e repassar essas informações ao comunicador.
Para chegar aos nomes dos envolvidos, os investigadores analisaram materiais apreendidos com o próprio jornalista Luís Pablo em março de 2026. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), que deu parecer favorável à operação, existem indícios de que o sigilo profissional pode estar sendo usado para mascarar crimes de acesso ilegal a dados. A decisão de Alexandre de Moraes permitiu que policiais buscassem celulares, computadores e documentos nas residências dos investigados.
Além do vazamento de dados, a PF apura uma transferência bancária de R$ 100 mil realizada pelo advogado Diogo Diniz Lima para o jornalista. Os investigadores buscam esclarecer se o valor foi um pagamento pelo teor das reportagens publicadas. Em contrapartida, o advogado e Luís Pablo negam qualquer crime, alegando que a quantia refere-se a um empréstimo pessoal devidamente registrado e sem qualquer ligação com a atividade jornalística exercida.
Raimundo Cutrim já se encontra cumprindo prisão domiciliar desde julho de 2026 por determinação do próprio Flávio Dino em um processo distinto. A defesa de Cutrim questiona a legalidade das novas buscas e critica o vazamento de detalhes de um procedimento que deveria ser sigiloso. Enquanto isso, o caso gera forte reação de entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Sociedade Interamericana de Imprensa, que veem risco à liberdade de imprensa.
A assessoria de Flávio Dino manifestou-se afirmando que nunca houve irregularidade no uso dos veículos oficiais, que estariam cedidos legalmente via Secretaria de Segurança do STF. A equipe do ministro afirma que as investigações provam o monitoramento criminoso de seus passos e de sua família por agentes que buscam desestabilizar as instituições. O caso permanece sob análise no Supremo Tribunal Federal e promete novos capítulos nos próximos dias.
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A quebra do sigilo da fonte em nome da segurança de ministros é um avanço necessário ou um retrocesso para a liberdade de imprensa? Comente o que você pensa sobre essa decisão de Moraes.