Elas trocaram a fome e os subempregos pela autonomia no OnlyFans e Privacy, mas enfrentam um tribunal implacável nas redes sociais.
A busca pela sobrevivência e o desejo de oferecer uma vida digna aos filhos levaram Bruna Santiago, Alexia Loren e o jovem Hyoran a um caminho polêmico: a produção de conteúdo adulto. Enquanto o sucesso da série Margô Está em Apuros, na Apple TV, joga luz sobre o tema, a realidade fora das telas é marcada por boletos atrasados, julgamentos sociais e a luta constante contra o preconceito de quem não conhece as dificuldades da maternidade solo.
A história de Bruna Santiago é um exemplo drástico dessa transição. Enquanto cursava o doutorado em história na UFRGS, no Rio Grande do Sul, ela precisava sobreviver e sustentar a filha de 11 anos com uma bolsa de apenas R$ 1.500. Natural da Paraíba, Bruna enfrentou uma infância de trabalho precoce em faxinas e bancas de jogo, mas foi no mercado adulto que encontrou a dignidade financeira para comprar sua casa própria e garantir plano de saúde para sua família.
Já Alexia Loren iniciou sua jornada em 2018, em um momento de extrema vulnerabilidade enquanto ainda amamentava seu bebê de seis meses. Diante de dificuldades financeiras severas, ela seguiu o conselho de uma amiga e passou a comercializar fotos e vídeos íntimos. Hoje, Alexia mantém uma rotina rigorosa de trabalho durante o horário escolar do filho, que estuda em uma escola bilíngue, provando que a autonomia financeira transformou sua energia materna.
A quebra de paradigmas também atinge os pais, como Hyoran, que em 2023 decidiu abandonar o perigoso trabalho de montador de andaimes para se dedicar às plataformas digitais. Com um filho de quatro anos e uma bebê recém-nascida, ele afirma que o novo ofício permitiu cuidar melhor da saúde e estar mais presente. Diferente das mulheres, Hyoran relata ter sofrido menos preconceito por ser pai, evidenciando o peso desigual do julgamento social sobre as figuras femininas.
O crescimento desse mercado no Brasil é explosivo, com a plataforma Privacy registrando um aumento de 237% nas buscas nos últimos quatro anos. Enquanto o OnlyFans movimenta cerca de US$ 7,2 bilhões anualmente, criadores como Bruna questionam a hipocrisia da sociedade. Ela ressalta que, enquanto trabalhava em escalas exaustivas de 10 horas por dia como garçonete, ninguém a questionava sobre como conciliava o trabalho com a criação da filha.
O estigma, no entanto, permanece como uma sombra constante. Para essas mulheres, a violência não vem de dentro de casa, mas do tribunal virtual que cria cenários hipotéticos de vergonha para os filhos. Bruna Santiago rebate as críticas afirmando que organiza seu tempo como em qualquer outra profissão, priorizando momentos de lazer e educação que antes eram inalcançáveis devido à pobreza extrema que enfrentava antes da fama digital.
Diante desse cenário, você acredita que o mercado adulto é uma saída legítima para a crise financeira ou o impacto social na vida dos filhos é grande demais? Deixe sua opinião nos comentários!