A decisão do Tribunal do Júri gerou revolta entre familiares após a defesa apontar falhas graves na investigação e ausência de provas técnicas no crime ocorrido na Bahia.
A Justiça absolveu o policial militar Alisson Santiago dos Santos e Estevão Iury de Lima pelo triplo homicídio ocorrido em março de 2025. O julgamento foi encerrado nesta quinta-feira (20), no Fórum Gerson Pereira dos Santos.
As vítimas, Henrique Silva Borges, Jailma Barbosa da Silva e Giovanna Vitória Vilena, foram mortas a tiros e facadas no bairro de Imbassaí. Embora o Tribunal do Júri tenha reconhecido a materialidade do crime, os jurados entenderam que não havia provas para condenar os réus.
Falhas na investigação e ausência de provas técnicas
O advogado de defesa, Aryldo de Oliveira Paula, classificou a investigação como pífia. Ele ressaltou que não foram encontradas cápsulas no local, o que fragiliza a tese de que uma arma de fogo do tipo pistola teria sido utilizada.
Segundo a defesa, a Polícia Civil deixou de anexar imagens de câmeras de segurança essenciais ao processo. Além disso, perícias de datiloscopia e no sistema de GPS da motocicleta usada no dia do crime não foram realizadas pelas autoridades.
Dinâmica dos fatos e ameaças ignoradas
O Ministério Público alegou que a motivação seria uma briga em uma confraternização na noite anterior. Na ocasião, uma pergunta sobre a Cetrel — área de desova de cadáver — teria irritado o PM, gerando ameaças.
Entretanto, a defesa apresentou uma nova linha envolvendo o crime organizado. A jovem Giovanna teria recebido ameaças no Instagram dias antes, enviadas por um perfil com a foto do Tio Patinhas, símbolo ligado a facções, detalhe que não foi apurado.
Situação atual e recurso judicial
Após o veredito em Dias d’Ávila, o promotor de justiça confirmou que o MP-BA já recorreu da decisão. O objetivo é anular o julgamento alegando que a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos da segurança pública.
Os réus permaneceram presos por quase dois anos até a absolvição. Agora em liberdade, a defesa aguarda o trânsito em julgado para avaliar um pedido de reparação contra o Estado devido ao tempo de detenção dos envolvidos na Bahia.
Veja mais notícias sobre Polícia
O desfecho do caso agora depende da análise do recurso pelo Tribunal de Justiça da Bahia.
Nenhum comentário: