Entenda como o PM Caio Filizola, preso em flagrante após atirar contra Luena Rocha Melo, conseguiu a liberdade em tempo recorde.
O soldado da Polícia Militar do Ceará, Caio Filizola de Paiva, de 36 anos, foi posto em liberdade no final da manhã desta segunda-feira, poucas horas após ser preso em flagrante pelo assassinato de Luena Rocha Melo, de 33 anos. O crime, que chocou a cidade de Cariré, ocorreu na madrugada de hoje em um posto de combustível, onde o agente teria disparado contra as costas da vítima após uma discussão banal na loja de conveniência.
A decisão que gerou perplexidade foi proferida pelo juiz João Gabriel Amanso da Conceição, do 5º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias de Sobral. O magistrado negou o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público do Ceará (MP-CE), alegando que o policial é réu primário e que, no momento, seria necessária uma pormenorização de fatos pontuais para manter o agente atrás das grades antes do julgamento final.
De acordo com testemunhas oculares, o policial militar estava consumindo bebidas alcoólicas no local quando se desentendeu com Luena, que estava acompanhada de seu marido. Em um ato de violência extrema e covarde, o militar sacou sua arma e efetuou um disparo fatal contra as costas da mulher. Relatos do marido da vítima indicam que Caio Filizola já era conhecido do casal e possuía um histórico de comportamento agressivo em ocasiões anteriores.
No momento da prisão em flagrante efetuada por seus próprios colegas de farda, o soldado apresentava nítidos sinais de embriaguez. Durante o deslocamento para a delegacia, o PM teria passado mal, sendo encaminhado a uma unidade hospitalar antes de ser levado à custódia. Enquanto o agressor recebia atendimento médico, Luena Rocha Melo não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado ainda no local da tragédia, deixando a família em absoluto desespero.
Lotado no Batalhão de Sobral e integrante da corporação desde junho de 2018, Caio Filizola admitiu durante a audiência que enfrenta problemas de vício em álcool. Apesar da gravidade do homicídio, o juiz considerou a prisão um instrumento de exceção e optou por medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica por 240 dias e o recolhimento domiciliar obrigatório entre 20h e 5h, proibindo-o também de frequentar bares e festas.
A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) informou que já instaurou um procedimento administrativo disciplinar e determinou o afastamento preventivo do agente. Enquanto a defesa do militar, conduzida pelo advogado Leonardo Herbert, afirma que o cliente está cooperando com a justiça, a sociedade civil e os familiares da vítima clamam por uma resposta mais rigorosa diante da vida ceifada de forma tão abrupta.
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