Vídeos impressionantes mostram o momento de pânico e resistência física durante a ação policial em uma via estratégica do estado.
Um cenário de guerra e desespero tomou conta da via de acesso ao Complexo Industrial Portuário de Suape, em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, nesta quarta-feira (8). O que deveria ser uma manifestação por direitos territoriais transformou-se em um violento confronto entre moradores do Quilombo Ilha de Mercês e efetivos da Polícia Militar de Pernambuco, gerando cenas de pânico que circulam nas redes sociais.
Relatos angustiantes e vídeos enviados ao portal LeiaJá mostram momentos de extrema tensão, com prisões sendo efetuadas em meio a empurrões e gritos. Durante a mobilização, o clima ficou tão pesado que diversos manifestantes chegaram a passar mal, enquanto outros tentavam, sem sucesso, conter o avanço das autoridades. A comunidade, que é certificada pela Fundação Cultural Palmares desde 2016, luta contra o que chamam de invasão de seu território tradicional.
A quilombola Liliane Silva, de 28 anos, denunciou a perseguição implacável que os nativos vêm sofrendo ao longo dos anos. Segundo ela, o Complexo de Suape tem intensificado as ações para retirar os moradores de suas terras ancestrais. O território está atualmente em processo de titulação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas a demora burocrática tem deixado as famílias vulneráveis aos interesses industriais na região.
"A gente vem sendo perseguido por Suape. Eles querem as nossas terras. Nós somos posseiros e nativos daqui", afirmou Liliane em um depoimento contundente. Ela destaca que a comunidade abriga um baobá com mais de 300 anos, símbolo da resistência e da ancestralidade que agora se vê ameaçada pela expansão do porto e das refinarias. Segundo a moradora, o conflito histórico se agravou, impedindo até mesmo que os quilombolas realizem melhorias em suas próprias casas.
A denúncia central é que o Complexo de Suape ocupou vastas áreas para construir infraestruturas portuárias e agora tenta avançar sobre o pouco espaço que restou para os tradicionais ocupantes. O clima em Ipojuca permanece instável, com a comunidade exigindo respostas imediatas das autoridades estaduais. Tanto a PM quanto a administração do porto foram procuradas para explicar a violência da abordagem nesta quarta-feira.
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