Um escândalo sem precedentes em Trajano de Moraes revela como um político teria forjado um casamento para lucrar milhões.
O cenário político fluminense está em choque com a revelação de um suposto esquema de corrupção e fraude matrimonial envolvendo Hélio Luiz Fazoli, atual vice-prefeito de Trajano de Moraes (RJ). Ele está sendo formalmente investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sob a acusação de forjar uma união estável com uma ex-procuradora do Estado, Ângela Marília de Moraes Peçanha, que era tia de sua própria ex-mulher, visando o recebimento de uma pensão mensal astronômica de quase R$ 50 mil.
A história oficial do esquema teria começado a se desenhar no ano de 1995, quando Hélio Luiz se casou com Adriana Canes Peçanha, sobrinha direta de Ângela. O casal permaneceu unido até o divórcio em 2013, momento em que o político teria articulado o plano audacioso. Apenas alguns meses após a separação, ele procurou um cartório para formalizar uma nova união estável, desta vez com a tia idosa, que na época já contava com 83 anos de idade. Ângela Marília, nascida em 1931, era uma servidora aposentada desde 1985 e não possuía herdeiros diretos.
Um dos pontos mais alarmantes da investigação aponta que não existem registros fotográficos, festas ou qualquer evidência social do relacionamento entre o vice-prefeito e a idosa. No mesmo dia em que a união estável foi assinada no papel, Hélio Luiz Fazoli também obteve uma procuração que lhe conferia o direito de movimentar integralmente as contas bancárias da ex-procuradora. Com o falecimento de Ângela em 2017, o político deu entrada em pedidos de pensão por morte, sendo um deles aprovado pelo Rioprevidência.
Ao longo de quase dez anos, estima-se que Hélio Luiz e sua ex-mulher, Adriana Canes Peçanha, tenham recebido cerca de R$ 5 milhões dos cofres públicos de forma indevida. A fraude foi descoberta após denúncias que levaram o Ministério Público a concluir que o casamento nunca existiu de fato. Como consequência, a justiça determinou o bloqueio imediato de todos os bens dos acusados, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos de luxo e até investimentos em criptomoedas.
Além da acusação de falsidade ideológica, os envolvidos responderão por estelionato qualificado contra o patrimônio público. A legislação prevê que, sem herdeiros diretos, os bens da falecida deveriam ser divididos entre irmãs e sobrinhos, e não apropriados através de uma união supostamente fictícia. O impacto financeiro causado ao Rioprevidência é considerado grave pelas autoridades que acompanham o caso de perto.
Em nota oficial, a defesa de Hélio Luiz Fazoli e Adriana Peçanha classificou a investigação como arbitrária e baseada em picuinhas do cenário político local. Os advogados sustentam que os acusados não foram ouvidos antes das medidas restritivas e afirmam que os parentes que prestaram depoimento contra o casal sequer frequentavam a cidade de Trajano de Moraes. A defesa conclui afirmando que a memória de Ângela será preservada por aqueles que realmente cuidaram dela em seus últimos anos de vida.
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