Brenda Larissa Maia registrou o descaso na saúde pública em vídeos chocantes e enviou mensagens de despedida antes de falecer no corredor da unidade.
A trágica morte de Brenda Larissa Maia, de apenas 32 anos, expõe as vísceras de um sistema de saúde em colapso e o desespero de uma mãe que previu o próprio fim. Antes de vir a óbito na UPA Justinópolis, situada em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a jovem manicure enviou mensagens dilacerantes à sua mãe. O caso, ocorrido na noite de sábado (6), ganha contornos dramáticos com a revelação de que Brenda implorou para que não autorizassem sua entubação caso o quadro se agravasse.
As comunicações começaram por volta das 22:16 de sábado, quando Brenda enviou uma fotografia deitada em uma maca, já dependente de auxílio de oxigênio. Naquele momento, ela tentou tranquilizar a família pedindo que a mãe fosse descansar. Contudo, pouco mais de uma hora depois, às 23:47, o tom mudou para o pânico absoluto. Em sua última mensagem, ela escreveu: "não autoriza a ventilação mecânica", finalizando com um desolador "Eu não aguento...", pressentindo que não resistiria ao procedimento ou à precariedade do local.
Enquanto lutava pela vida, Brenda não se calou diante do que via. Ela utilizou seu celular para registrar o caos na unidade de saúde, gravando vídeos que denunciam corredores lotados, paredes em estado de degradação e, o que é mais grave, consultórios médicos completamente vazios. A jovem, que buscou atendimento devido a fortes dores no peito e inchaço corporal, já possuía diagnósticos de fibromialgia e cardiopatia, fatores que tornavam seu atendimento ainda mais urgente e crítico diante da ausência de profissionais.
Relatos indicam que, em um ato final de desespero, Brenda chegou a sair sozinha da área onde estava sendo assistida para percorrer os corredores da UPA em busca de auxílio. Testemunhas afirmam que ela passou mal e caiu desfalecida em pleno corredor da unidade. A família agora vive um pesadelo jurídico e emocional, contestando o atestado de óbito. Inicialmente, a suspeita era de embolia pulmonar, mas a Prefeitura de Ribeirão das Neves posteriormente declarou que a causa foi uma parada cardiorrespiratória, divergência que gera revolta entre os parentes.
O irmão da vítima, Hudson Maia, de 39 anos, descreveu Brenda como uma mulher extremamente amorosa e dedicada, que frequentemente deixava sua filha, a pequena Cecília, de apenas cinco anos, com a avó para cuidar voluntariamente de doentes em hospitais. O corpo da manicure, que também realizava trabalhos como cabeleireira, foi enterrado na manhã desta terça-feira (9), no Cemitério Belo Vale, em Santa Luzia, deixando um rastro de dor e uma cobrança fervorosa por justiça contra o descaso público.
A negligência na saúde pública interrompeu o futuro de uma mãe de 32 anos. Você acredita que a falta de médicos na UPA foi o fator determinante para essa tragédia? Comente sua opinião abaixo.