O clima pesou no Fórum Thomaz de Aquino quando o feminicida Jorge Bezerra, já condenado, interrompeu a sessão para lançar uma promessa de morte aterrorizante.
Em uma cena que chocou os presentes no Fórum Thomaz de Aquino, no Centro do Recife, o clima de tensão atingiu níveis insuportáveis nesta quarta-feira, dia 3 de julho. O réu Jorge Bezerra da Silva, que já cumpre pena de 29 anos e 8 meses pelo assassinato brutal da ex-mulher, a cabeleireira Priscilla Monnick Laurindo da Silva, voltou ao banco dos réus para responder por uma tentativa de homicídio anterior. No entanto, o que deveria ser um rito de justiça transformou-se em um novo episódio de terror psicológico para a família da vítima.
Durante a sessão, Jorge Bezerra da Silva demonstrou total desprezo pelas autoridades e pela vida humana ao disparar uma ameaça direta contra a irmã de Priscilla. "Você pode me dar 50 anos, mas eu vou matar ela", afirmou o criminoso, em um tom desafiador que paralisou o tribunal. A declaração foi direcionada especificamente à ex-cunhada, a mesma pessoa que, em 2021, foi fundamental para salvar a vida de Priscilla em um ataque anterior. O comportamento agressivo de Jorge não é novidade, visto que no júri de 2025 ele já havia sido retirado após ameaçar o promotor de Justiça.
O julgamento desta quarta-feira foca em um crime hediondo ocorrido em 10 de abril de 2021. Naquela data, o agressor já estava sob monitoramento e utilizava uma tornozeleira eletrônica, além de existir uma medida protetiva em vigor. Ignorando as restrições judiciais, Jorge rompeu o equipamento de monitoramento e invadiu a residência da mãe de Priscilla com uma fúria assassina. O ataque foi marcado pela crueldade extrema, pois a vítima estava com a filha do casal, uma bebê recém-nascida, nos braços no momento em que ele investiu com uma faca.
Relatos detalhados do processo indicam que Priscilla Monnick agiu por instinto materno para proteger a filha quando Jorge direcionou um golpe de faca contra a própria criança. A mãe colocou a mão na frente da lâmina, sofrendo ferimentos graves, enquanto a bebê saiu apenas com arranhões. A tragédia só não se consumou naquele dia porque a irmã de Priscilla, então adolescente e escondida em um quarto, começou a gritar por socorro de forma desesperada. O barulho e o medo de ser capturado em flagrante fizeram com que Jorge fugisse, deixando para trás o seu capacete.
Infelizmente, a sobrevivência de Priscilla foi temporária. Em janeiro de 2022, Jorge concretizou seu desejo de morte na residência do casal, no bairro do Zumbi, na Zona Oeste do Recife. Ele a esfaqueou no pescoço e a asfixiou, deixando o corpo sobre a cama para ser encontrado pelo próprio pai do criminoso. Após o assassinato, ele permaneceu foragido por oito meses. Hoje, a filha de Priscilla é criada pela avó materna, Joceane Paulino, que vive sob o constante medo das ameaças que emanam de dentro do sistema prisional.
A acusação, conduzida pelo promotor Bruno Santacatharina, busca uma condenação exemplar para este novo processo. O objetivo é que a somatória das penas e a gravidade das ameaças proferidas em pleno tribunal impeçam que Jorge Bezerra da Silva tenha acesso a qualquer benefício penal, como saídas temporárias ou progressão de regime. Para a família, a luta agora não é apenas por memória, mas por sobrevivência, diante de um homem que promete continuar matando mesmo após ser condenado pela justiça pernambucana.
Até onde deve ir o rigor da lei para conter um criminoso que, mesmo preso, continua aterrorizando suas vítimas? Deixe sua opinião nos comentários sobre este caso chocante.