Argentina vira ré e tem prisão decretada após gestos racistas no Rio de Janeiro
A advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, tornou-se oficialmente ré e teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça do Rio de Janeiro. Acusada de injúria racial contra funcionários de um bar em Ipanema, Agostina divulgou um vídeo em suas redes sociais declarando estar "desesperada" e "morta de medo" após receber a notificação judicial. O caso, que gerou indignação pública, envolve ofensas proferidas em janeiro deste ano.
A decisão pela prisão preventiva foi motivada pelo risco de fuga, uma vez que a acusada é estrangeira. Embora estivesse sob monitoramento por tornozeleira eletrônica, o Tribunal de Justiça acatou o pedido do Ministério Público para garantir a aplicação da lei penal. As investigações foram robustecidas por imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas que confirmaram os gestos de Agostina, que imitava um macaco e emitia sons do animal em direção a um funcionário negro.
A defesa da argentina tentou alegar que as atitudes eram apenas "brincadeiras" direcionadas às suas amigas, tese que foi rejeitada pela promotoria. O Ministério Público destacou que uma das acompanhantes da ré chegou a tentar impedi-la, o que demonstra a plena consciência da reprovabilidade da conduta. No Brasil, a injúria racial é um crime grave, equiparado ao racismo, sendo inafiançável e imprescritível, com penas que podem chegar a cinco anos de reclusão.
Agostina afirmou em seu depoimento inicial que desconhecia a gravidade de tais atos na legislação brasileira, alegando ainda ter sido provocada. Entretanto, o rigor da Justiça fluminense sinaliza que a discriminação racial não será tolerada, independentemente da nacionalidade do agressor. O mandado de prisão aguarda cumprimento pela Polícia Civil, enquanto o processo segue em segredo de Justiça para apurar todos os detalhes do ocorrido.